sábado, 5 de dezembro de 2009

O Progresso Descontínuo da Ciência


O Progresso Descontínuo da Ciência

A noção de progresso descontínuo da ciência, de Gaston Bachelard, evidencia, antes de tudo, o empreendimento da busca de uma epistemologia que possa expressar, adequadamente, a ciência de sua época. Essa ciência, marcada pela ruptura de Einstein com Newton, é novidade. Logo, uma epistemologia atenta às rupturas é necessária, juntamente com uma história julgada (que é a história das ciências). A noção de progresso descontínuo da ciência, portanto, torna-se capital.

“Não há, portanto, transição entre o sistema de Newton e o sistema de Einstein”. Essa afirmação de Bachelard traz uma concepção de descontinuidade, pois coloca que não há como deduzir, a partir da mecânica newtoniana, a teoria einsteiniana. Essa última subverteu os princípios da primeira, recusando noções fundamentais que representavam a base do sistema anterior. A mecânica clássica explicava muitos fenômenos, sendo que o caráter observativo era exaltado (primeira ordem de aproximação: da experiência para o racional).

A teoria da relatividade representou uma segunda ordem de aproximação: do racional para o real. Isso porque o caráter matemático e “indutivo” (inventivo) possibilitou a compreensão de fenômenos não alcançados pelas explicações da teoria newtoniana. O objeto da ciência passou a ser um objeto criado por uma matemática inventiva, que se encontrava no campo da probabilidade: esse objeto não era visível, como é o caso do corpúsculo, mas sim uma espécie de ente criado pela ciência.

Bachelard, vivendo as novidades da ciência, diz que o sistema de Newton era fechado e que só se poderia sair dele por arrombamento, ou seja, rompendo com os princípios, exaltando, assim, a descontinuidade. Enquanto que, para Newton, o tempo é absoluto, para Einstein o tempo é relativo: ele nos traz o conceito de tempo atrelado a coordenadas experimentais, num verdadeiro entrelaçamento entre razão e experiência. Para Bachelard, o progresso da ciência não acontece por acúmulo de conhecimento, mas sim pela polêmica que envolve os conceitos fundamentais da teoria anterior, o que torna a antiga teoria um caso particular da nova. A última teoria é mais abrangente e aproxima-se mais do real (não em um sentido realista) constituindo, assim, uma surracionalidade.

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